Quatro em cada dez professores já sofreram algum tipo de violência em escolas do Estado de São Paulo
16/06
VIOLÊNCIA ESCOLAR
Cenas de alunos brigando entre si, agredindo
professores ou sendo atacados por profissionais que deveriam ensiná-los
são cada vez mais comuns nas redes sociais e em noticiários da TV.
Os casos acontecem desde os anos 1990 – quando surgiram as primeiras discussões de especialistas sobre o assunto – e estão relacionados com o aumento da criminalidade nas grandes cidades, verificado na mesma época.

Na última década, contudo, os registros tornaram-se mais frequentes, além de ganharem notoriedade graças à divulgação na internet, em sites como o YouTube e o Facebook. Os vídeos são disseminados, muitas vezes, pelos próprios jovens envolvidos nas agressões, como forma de conquistar status junto aos colegas.
O crime mais marcante ocorreu em 7 de abril de 2011, quando doze adolescentes com idades entre 12 e 14 anos foram mortos a tiros na escola municipal Tasso da Silveira, localizada no bairro do Realengo, zona oeste do Rio de Janeiro. O atirador, Wellington Menezes de Oliveira, era um ex-aluno que teria sido vítima de bullying.
Segundo a pesquisa mais recente sobre o assunto, divulgada em 9 de maio, quatro em cada dez professores já sofreram algum tipo de violência em escolas do Estado de São Paulo. O levantamento, realizado pelo Instituto Data Popular e a Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo), entrevistou 1.400 docentes da rede estadual de 167 cidades.
Os dados comprovam o que educadores já sabiam: a fronteira entre a escola e a violência das ruas deixou de existir. Vandalismo, agressões, confronto entre gangues, roubos, tráfico e até assassinatos passaram a fazer parte da rotina escolar.
De acordo com a pesquisa, intitulada “Violência nas escolas: o olhar dos professores”, 72% dos professores já presenciaram briga de alunos, 62% foram xingados, 35% ameaçados e 24% roubados ou furtados. A situação é pior em bairros de periferia, onde 63% dos profissionais consideram a escola um espaço violento. A insegurança no trabalho, de acordo com os coordenadores do estudo, é comum entre os docentes.
Mas, porque a escola deixou de ser uma referência de segurança e de futuro melhor para crianças e adolescentes para se tornar um ambiente de medo?
Na opinião dos professores entrevistados (42%), as razões estariam no uso de drogas por parte dos alunos. O tráfico, muitas vezes, acontece dentro dos próprios estabelecimentos de ensino.
Psicólogos e pedagogos apontam ainda a educação recebida em casa. Os pais são muito permissíveis em relação o comportamento dos filhos ou muito agressivos. De qualquer forma, de acordo com especialistas, a falta de valores familiares seria um dos motivos da violência.
Apontam-se, também, fatores como a exclusão social a falta de perspectiva em relação ao futuro profissional e acadêmico. A educação, nesse sentido, deixou de ser uma alternativa ao ciclo de pobreza e desagregação familiar vivido por estudantes de periferias.

Entretanto, uma pesquisa mais abrangente, publicada pela Unesco em 2003, concluiu que nenhuma dessas explicações, isoladas, respondem à questão. É preciso, de acordo com a Unesco, analisar um conjunto de causas externas (como o fácil acesso a armas e drogas no entorno das unidades de ensino) e internas, que interagem entre si.
Entre os aspectos internos são apontados a falta de segurança nas escolas e o descontentamento de alunos com a disciplina, a estrutura e a qualidade de ensino. Segundo a Unesco, a violência é uma das principais razões para o abandono dos estudos.
Para especialistas, programas educativos que envolvam a comunidade e discutam o tema com alunos e familiares apresentam resultados positivos na redução da violência nas escolas. Os governos investiram, ao longo dos anos, em rondas escolares, sistema de vigilância por câmeras e proteção dos prédios com muros altos, grades e cadeados. Também são promovidos eventos, palestras e oferecidos cursos de mediação de conflitos em escolas públicas para educadores.
A violência nas escolas, infelizmente, é apenas um dos aspectos da violência no país. Outros já foram abordados aqui no passado. Desses, selecionamos dois relativamente recentes, que vale a pena rever, para contextualizar o problema escolar no âmbito nacional. É importante também relembrar a questão do bullying, para saber com precisão o que isso significa e como o assunto é tratado no Brasil.
Os casos acontecem desde os anos 1990 – quando surgiram as primeiras discussões de especialistas sobre o assunto – e estão relacionados com o aumento da criminalidade nas grandes cidades, verificado na mesma época.
Na última década, contudo, os registros tornaram-se mais frequentes, além de ganharem notoriedade graças à divulgação na internet, em sites como o YouTube e o Facebook. Os vídeos são disseminados, muitas vezes, pelos próprios jovens envolvidos nas agressões, como forma de conquistar status junto aos colegas.
O crime mais marcante ocorreu em 7 de abril de 2011, quando doze adolescentes com idades entre 12 e 14 anos foram mortos a tiros na escola municipal Tasso da Silveira, localizada no bairro do Realengo, zona oeste do Rio de Janeiro. O atirador, Wellington Menezes de Oliveira, era um ex-aluno que teria sido vítima de bullying.
Segundo a pesquisa mais recente sobre o assunto, divulgada em 9 de maio, quatro em cada dez professores já sofreram algum tipo de violência em escolas do Estado de São Paulo. O levantamento, realizado pelo Instituto Data Popular e a Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo), entrevistou 1.400 docentes da rede estadual de 167 cidades.
Os dados comprovam o que educadores já sabiam: a fronteira entre a escola e a violência das ruas deixou de existir. Vandalismo, agressões, confronto entre gangues, roubos, tráfico e até assassinatos passaram a fazer parte da rotina escolar.
De acordo com a pesquisa, intitulada “Violência nas escolas: o olhar dos professores”, 72% dos professores já presenciaram briga de alunos, 62% foram xingados, 35% ameaçados e 24% roubados ou furtados. A situação é pior em bairros de periferia, onde 63% dos profissionais consideram a escola um espaço violento. A insegurança no trabalho, de acordo com os coordenadores do estudo, é comum entre os docentes.
Mas, porque a escola deixou de ser uma referência de segurança e de futuro melhor para crianças e adolescentes para se tornar um ambiente de medo?
Na opinião dos professores entrevistados (42%), as razões estariam no uso de drogas por parte dos alunos. O tráfico, muitas vezes, acontece dentro dos próprios estabelecimentos de ensino.
Psicólogos e pedagogos apontam ainda a educação recebida em casa. Os pais são muito permissíveis em relação o comportamento dos filhos ou muito agressivos. De qualquer forma, de acordo com especialistas, a falta de valores familiares seria um dos motivos da violência.
Apontam-se, também, fatores como a exclusão social a falta de perspectiva em relação ao futuro profissional e acadêmico. A educação, nesse sentido, deixou de ser uma alternativa ao ciclo de pobreza e desagregação familiar vivido por estudantes de periferias.
Entretanto, uma pesquisa mais abrangente, publicada pela Unesco em 2003, concluiu que nenhuma dessas explicações, isoladas, respondem à questão. É preciso, de acordo com a Unesco, analisar um conjunto de causas externas (como o fácil acesso a armas e drogas no entorno das unidades de ensino) e internas, que interagem entre si.
Entre os aspectos internos são apontados a falta de segurança nas escolas e o descontentamento de alunos com a disciplina, a estrutura e a qualidade de ensino. Segundo a Unesco, a violência é uma das principais razões para o abandono dos estudos.
Para especialistas, programas educativos que envolvam a comunidade e discutam o tema com alunos e familiares apresentam resultados positivos na redução da violência nas escolas. Os governos investiram, ao longo dos anos, em rondas escolares, sistema de vigilância por câmeras e proteção dos prédios com muros altos, grades e cadeados. Também são promovidos eventos, palestras e oferecidos cursos de mediação de conflitos em escolas públicas para educadores.
A violência nas escolas, infelizmente, é apenas um dos aspectos da violência no país. Outros já foram abordados aqui no passado. Desses, selecionamos dois relativamente recentes, que vale a pena rever, para contextualizar o problema escolar no âmbito nacional. É importante também relembrar a questão do bullying, para saber com precisão o que isso significa e como o assunto é tratado no Brasil.
(Fonte: http://www.estudavest.com.br/blog/id68/quatro_em_cada_dez_professores_ja_sofreram_algum_tipo_de_violencia_em_escolas_do_estado_de_sao_paulo)
Estas estatísticas apontam para uma questão muito difícil a ser trabalhada pelos Gestores Escolares. Entendemos que é complicado até mesmo para eles falarem sobre o assunto, por conter uma série de variáveis muito delicadas, que são impostas tacitamente pela própria estrutura socioeconômica e cultural neoliberal capitalista da sociedade atual... Então, NOSSO DEPOIMENTO IRÁ CENTRAR-SE EM NOSSO CONTATO DIRETO, prático e diário, COM OS GESTORES de uma das principais unidades escolares atingidas por esta trágica realidade: a Escola Municipal Tasso da Silveira...
Eu sou Ana Paula, moradora do bairro de Bangu, sou Professora do Município do RJ e nesta época eu estava trabalhando na Sede da Secretaria Municipal de Educação. Eu tive a oportunidade de acompanhar de perto os momentos de sofrimento vivenciados por essa Unidade Educacional. Após alguns dias de luto, os procedimentos adotados pelo diretor (da época) para lidar com esta situação de extrema gravidade foram decisivos para a retomada do funcionamento da escola. Ele buscou o caminho da transformação, envolveu o corpo docente, despertou nos alunos o sentimento de pertencimento, melhorou a comunicação e a parceria com os responsáveis e funcionários, e as decisões referentes aos mais variados assuntos e situações passaram a ser acordadas por todos, em conjunto! A atuação equilibrada da gestão foi o ponto principal para que aquela escola retomasse suas atividades e desenvolvesse um trabalho pedagógico de prevenção à violência, integrando toda a comunidade numa convivência solidária.
Com esta situação que vivenciei, pude aprender que neste caso de violência escolar: 1- o gestor deve identificar o problema e buscar um trabalho integrado, participativo, contendo toda a comunidade escolar; 2- ter a preocupação pedagógica, com ações efetivas de combate a violência, ações que vão além da punição, baseadas no diálogo verdadeiro, no respeito, acordadas coletivamente (sempre!), reunindo diversas opiniões e considerando as características individuais dos alunos.
Eu, Deni Cristina, sou Agente de Apoio à Educação Especial da Escola Municipal Tasso da Silveira. Eu ainda não trabalhava na escola quando aconteceu essa tragédia, mas tenho contato com professores que presenciaram. Eles preferem não lembrar... A gestão atual da escola sempre preocupa-se em "limpar" a imagem da escola, mantendo tudo o mais perfeito possível, dentro da maior ordem, sensibiliza os alunos no sentido de manterem a disciplina e o bom desempenho para honrar a tradição de ensino de qualidade da escola, enfim... Todo um esforço da gestão (da diretoria da escola), diário e incessante, para resgatar a leveza do ambiente escolar perante a comunidade, para manter a segurança dos alunos e a qualidade do ensino. É preciso realmente haver um comprometimento pessoal, de vida com uma escola neste sentido. E isto, começa pela Gestão que, através do seu contato e persuasão de toda a pirâmide hierárquica de funcionários da escola, vai encaminhando-os no mesmo sentido... Gerir nestas circunstância é uma verdadeira lição de vida!
Eu sou Silvia e, pelo contato com as colegas do meu grupo que trabalham na área da Educação e tiveram contato direto com a unidade escolar citada, pude compreender que a base do trabalho da Gestão Escolar para lidar com a problemática da violência está contida no art.4º da Lei nº
6.084, de 22 de novembro de 2011, que institui
o programa de prevenção e conscientização do assédio moral e violência no
âmbito do estado do Rio de Janeiro e determina: "Para
a implementação deste programa, cada unidade de ensino deverá criar uma equipe
de trabalho multidisciplinar, com a participação de professores e alunos,
associações de pais e responsáveis." Ou seja, mais do que uma determinação legal (ainda que seja de âmbito estadual), este compromisso, de puxar para si essa atribuição de envolver as pessoas (o que requer paciência, conversa, convencimento, didática, respeito às diferenças, etc) e desenvolver um programa de prevenção, ou de reconstrução da memória, do sentimento, da integridade moral de uma escola - como foi o caso da escola citada - , é uma tarefa que exige mais do que a inteligência do Gestor Escolar, conhecimentos de leis, ocupação de um cargo público, requer: Mente, Alma, Coração, Perseverança, Esperança, enfim, toda uma gama de sentimentos voltados para o bem de toda uma coletividade. É uma questão de querer o bem dos outros e se empenhar nisto, ou melhor, se sacrificar (de alguma maneira: dedicando seu tempo, esforço, atenção constante, força de vontade) para que isto aconteça! E isto foi feito e continua sendo feito na Escola Municipal Tasso da Silveira. Parabéns aos Gestores que se empenharam e continuam se empenhando nesta tarefa tão humana e tão complexa!
Grupo:
1- Ana Paula Fernandes da Rosa Barros
2- Deni Cristina da Silva Domingues
3- Silvia Helena Lobo da Silva
Infelizmente, atualmente, é comum a violência em sala de aula. Em nenhum momento você cita a responsabilidade do aluno por essa violência. O professor não mede forças, naturalmente ele DEVE ter uma autoridade que emana de sua profissão: em sala de aula, ele define as regras de conduta, muitas vezes pautadas no objetivo de educar.
ResponderExcluirAcontece que seu baixo salário não só o desestimula, como tira-lhe a dignidade perante os alunos, que não teriam a mesma postura em um consultório médico ou em uma audiência pública, pois sabe que sofrerá repressão.
Aliás, a palavra repressão e punição foram retiradas do vocabulário da educação. O que aconteceria se você fumasse maconha ou desse um tapa em um profissional em um aeroporto, por exemplo? Seria expulso imediatamente, sob pena de acionar a justiça caso o comportamento se repita.
Hoje o Estatuto da Criança e do Adolescente simplesmente proíbe a expulsão, a suspensão e até mesmo a retirada de sala por mau comportamento do aluno, alegando ter este o direito à educação. Assim ele se sente livre para abusar da boa vontade de professores, diretores e colegas, sabe que nada irá lhe acontecer.
Comparo alguns alunos a alguns políticos: a sensação de impunidade é que leva ao abuso de poder. E muitas vezes o vandalismo na escola é fruto da escolha de alunos que sabem muito bem o mal que causam a si e aos outros.
Reflita sobre a situação das escolas, principalmente como vítima de um sistema governamental que não prioriza a educação, começando pela desvalorização do educador. Não é interesse de um governo corrupto tornar a população crítica e pensante, para possivelmente mudar o quadro político via voto.
Enquanto nos países de 1º mundo os professores recebem tão bem quanto médicos, são valorizados e homenageados pela formação que realizam, aqui são tripudiados e culpados pelo fracasso da educação.
Você teria paciência ou tolerância se lhe mandassem calar a boca em público? Se lhe ameaçassem de morte? Se riscassem seu carro? Enfim, somos todos vítimas!
Ana Cristina Tavares Brilhante